A serra no manto preto. O mar na proa-serpente. A mina no torque de ferro. E o que vive no nevoeiro.
150 antes da era comum. Roma acredita que venceu.
Cartago caiu. A Macedónia ajoelha-se. A Grécia paga tributo. O Mediterrâneo transforma-se, lentamente, num lago romano e um a um: os antigos deuses da europa são capturados pelo mármore.
Mas existe um extremo do mundo que recusa aprender a palavra «submissão». A oeste erguem-se serras antigas, vales cobertos de nevoeiro, castros de pedra e povos que nunca reconheceram um rei nem um senhor estrangeiro. Cada tribo é livre. Cada guerreiro responde apenas aos seus.
Galba promete paz. Promete terras. Promete futuro.
Trinta mil homens, mulheres e crianças depõem as armas. Roma fecha o cerco.
Não há tratado. Não há misericórdia. Há apenas ferro.
Quando o sol se põe, dezenas de milhares jazem mortos. Os sobreviventes seguem acorrentados para os mercados de escravos. Aldeias inteiras desaparecem numa única tarde.
O massacre ecoa pelas montanhas. Os velhos que combateram ao lado de Aníbal voltam a afiar as espadas. Os Vetões juram vingança. Os Turdetanos escolhem a diplomacia. Os Cónios procuram sobreviver entre tratados. No norte, Calaicos e Astures observam em silêncio.
E algures entre os cadáveres escapa um pastor desconhecido. O seu nome ainda nada significa. Em poucos anos, Roma aprenderá a temê-lo.
Mas esta não é apenas a história de Viriato. É a história de um mundo inteiro. Um mundo onde arqueologia e lenda caminham lado a lado. Onde espíritos habitam rios esquecidos. Onde monstros nascem de medos antigos. Onde cada castro guarda os seus segredos. Onde bardos transformam batalhas em eternidade. Onde druidas discutem com filósofos. Onde um simples pastor pode alterar o destino de impérios.
Bem-vindo à Ibéria de Ferro.
Um lugar brutal. Um lugar justo. Sobrevive: ou torna-te uma estela cuja memória resistirá quando o bronze, o ferro e Roma forem apenas pó.
Esquece as loricas segmentatas polidas e os gladii de cerimónia. Em 150 a.C., na Hispânia profunda, os legionários são uma força de ocupação brutal, vestindo cota de malha gasta (hamata), subarmalis de couro endurecido e escudos ovais (scuta) manchados de lama e sangue.
Não há bolsos infinitos. O que não cabe na tua mochila de 25 espaços, fica na lama. A fome, o frio e o peso da prata são tão letais quanto uma falcata inimiga.
Cada objeto no jogo existiu, ou podia ter existido. O torque diz de onde vens; o sinete diz com quem juraste; o broche diz o que podes perder.
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